Por Serg Smigg
Em maio deste ano, a Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal realizou audiência pública que trouxe à tona a realidade muitas vezes invisível dos cuidadores de pessoas no Brasil. O encontro teve como objetivo discutir os desafios enfrentados por profissionais e familiares que se dedicam ao cuidado de idosos, pessoas com deficiência e pacientes com doenças crônicas.
A audiência foi marcada por depoimentos emocionantes e dados preocupantes. Especialistas alertaram para o aumento da sobrecarga física e emocional dos cuidadores, especialmente mulheres, que representam a maioria nesse segmento. A ausência de políticas públicas efetivas e o reconhecimento limitado da profissão foram apontados como fatores agravantes.
“O cuidador é o elo que sustenta a dignidade de quem precisa de assistência. Mas quem cuida do cuidador?”, questionou a senadora Mara Gabrilli (PSD/SP), uma das principais vozes do debate.
Durante o evento, representantes de entidades da sociedade civil apresentaram propostas para implementação da Política Nacional de Cuidados, prevista desde 2023, mas ainda sem regulamentação. Entre as sugestões estão criação de linhas de apoio psicológico, capacitação profissional e subsídios financeiros para famílias que assumem o cuidado de seus entes.
A pesquisadora da Fiocruz, Dra. Ana Paula Cavalcanti, também participou da audiência e apresentou resultados de um estudo recente que revela o impacto da pandemia sobre cuidadoras familiares. Segundo ela, muitas enfrentaram jornadas exaustivas sem qualquer suporte institucional, o que levou ao aumento de casos de depressão e ansiedade.
Além dos dados, a audiência trouxe histórias reais. Uma cuidadora de São Paulo relatou que, após um acidente doméstico envolvendo o idoso sob seus cuidados, não recebeu qualquer orientação ou suporte das autoridades de saúde. “Fui responsabilizada, mas nunca fui treinada. Aprendi tudo na prática e com medo”, disse.
O debate terminou com o compromisso da comissão de encaminhar um relatório ao Ministério da Saúde e à Casa Civil, cobrando ações concretas para valorização da profissão. A expectativa é que o tema volte à pauta legislativa nas próximas semanas.


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