Por Serg Smigg
Em setembro de 2025, o Conselho Nacional de Saúde – CNS promoveu audiência pública que trouxe à tona uma questão há muito adiada: a regulamentação da profissão de cuidador de pessoas idosas. O debate ocorreu em meio à aprovação da Política Nacional de Cuidado Integral às Pessoas com Alzheimer e outras demências, reforçando a necessidade de reconhecer e valorizar quem dedica sua vida ao cuidado humano.
Segundo dados apresentados, o Brasil já conta com mais de 840 mil cuidadores de idosos, número que cresceu 547% nos últimos dez anos. Esse avanço reflete não apenas o envelhecimento acelerado da população, mas também a transformação de uma atividade antes restrita ao âmbito familiar em um setor profissional estratégico.
Vozes que defendem o cuidado
Durante a audiência, especialistas reforçaram que a ausência de regulamentação deixa milhares de trabalhadores em situação de vulnerabilidade. Fernando Pigatto, presidente do CNS, destacou que “não se trata apenas de reconhecer uma profissão, mas de garantir direitos, formação adequada e dignidade para quem cuida”. Já a geriatra Dra. Márcia Tavares, professora da Universidade Federal de Minas Gerais, lembrou que “o cuidador é parte essencial da rede de atenção à saúde, especialmente em casos de demência, onde o vínculo humano é tão importante quanto o tratamento médico”.
O impacto humano
Histórias de cuidadores presentes na audiência emocionaram o público. Maria das Graças Oliveira, cuidadora há 15 anos, relatou que começou a cuidar da própria mãe com Alzheimer e, desde então, passou a atender outras famílias. “Aprendi na prática, mas nunca tive acesso a cursos ou reconhecimento profissional. Somos invisíveis, mas sem nós, muitas pessoas não teriam qualidade de vida”, disse, com voz firme.
Caminhos para o futuro
O Projeto de Lei 3367/25, em análise na Câmara dos Deputados, prevê maior clareza na formação e capacitação contínua de cuidadores. A expectativa é que, com a regulamentação, o Brasil avance na construção de uma política pública que valorize o cuidado como um direito humano fundamental.
Mais do que números, o debate revela uma verdade sensível: cuidar é um ato de humanidade que precisa ser reconhecido como profissão. Em um país que envelhece rapidamente, dar voz e dignidade aos cuidadores é também cuidar do futuro de todos nós.


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