O cuidado como direito social
O Brasil deu um passo importante ao sancionar, em 2024, a Política Nacional de Cuidados – Lei 15.069/24. A legislação estabelece que o cuidado é um direito tanto de quem o recebe quanto de quem o oferece.
O objetivo é estruturar uma rede de apoio que contemple idosos, crianças, pessoas com deficiência e convalescentes. Assim, procura-se reconhecer que o ato de cuidar não é responsabilidade apenas familiar. É compromisso coletivo que envolve Estado, sociedade civil e setor privado.
Veja bem
Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, o Plano Nacional de Cuidados prevê investimentos de R$ 25 bilhões até 2027. Entre as ações estão a criação de cuidotecas, lavanderias públicas, creches e programas de capacitação de cuidadores.

Trata-se de tentativa de profissionalizar e valorizar o cuidado, garantindo dignidade e qualidade de vida.
Histórias que inspiram
Além das políticas públicas, experiências cotidianas revelam como o cuidado pode transformar vidas. Em projetos comunitários e escolares, o medo infantil — especialmente o medo do escuro e de monstros — tem sido trabalhado de forma criativa.
Educadores e cuidadores incentivam crianças a desenhar seus medos, transformando-os em personagens amigáveis. Essa prática ajuda a ressignificar emoções e fortalece a confiança.
A Pastoral da Criança, por exemplo, orienta pais e cuidadores a não ignorarem o medo infantil, mas a o acolhe como parte natural do desenvolvimento. Luzes noturnas, brinquedos protetores e brincadeiras simbólicas são estratégias simples que podem reduzir ansiedade e promover segurança emocional.
O olhar dos especialistas
De acordo com a psicóloga infantil Maria Helena Souza, especialista em desenvolvimento emocional, “o medo é uma emoção saudável, mas precisa ser acompanhado. Quando a criança percebe que não está sozinha, aprende que pode enfrentar seus receios e até transformá-los em algo positivo”.
Essa visão dialoga com a filosofia de Søren Kierkegaard1, que afirmava: “A ansiedade é o vértice da liberdade”. Ou seja, enfrentar o medo pode ser caminho para crescimento e para autonomia.
Profissionalização e valorização
O cuidado, historicamente invisibilizado, começa a ganhar reconhecimento como profissão. Cursos técnicos e programas de capacitação estão sendo ampliados, com foco em empatia, segurança e bem-estar. A meta é formar cuidadores capazes de lidar com diferentes necessidades, desde o apoio físico até o suporte emocional.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o envelhecimento populacional é um dos maiores desafios do século XXI. Estima-se que, até 2050, o número de pessoas com mais de 60 anos dobrará em relação a 2020. Isso reforça a urgência de políticas públicas e iniciativas privadas que garantam suporte adequado.
Filosofia do cuidado
O filósofo francês Emmanuel Lévinas2 defendia que a ética nasce no rosto do outro. Para ele, cuidar é reconhecer a vulnerabilidade alheia e assumir responsabilidade. Essa perspectiva filosófica ajuda a compreender que o cuidado. Não é apenas técnica, mas também relação humana, marcada por presença e escuta.
A historieta como metáfora

A historieta publicada recentemente na página do Instagram da Leme Home Care — “O medo da noite” — ilustra de forma poética essa realidade. Clara, a criança que teme monstros no escuro, encontra apoio em sua cuidadora Tati, que acende uma lanterna mágica. O gesto simples ilumina não apenas o quarto, mas também o coração da menina. No dia seguinte, Clara desenha um monstro sorridente, transformando medo em amizade.
Essa narrativa mostra que cuidar é iluminar: seja com políticas públicas, seja com gestos cotidianos, o cuidado tem o poder de transformar vulnerabilidade em companhia, medo em confiança, solidão em vínculo.
O campo dos cuidados vive um momento de expansão e reconhecimento. Entre avanços legislativos, histórias inspiradoras e reflexões filosóficas, fica claro que cuidar é mais do que atender necessidades básicas: é construir relações, promover dignidade e transformar vidas.
E você?
Como enxerga o ato de cuidar? Já viveu ou testemunhou situações em que o cuidado iluminou medos ou transformou vínculos? Compartilhe sua experiência nos comentários do site lemehomecare.enf.br e ajude a ampliar essa conversa sobre o poder do cuidado.
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Participe.
- Filósofo, teólogo, poeta e crítico social dinamarquês, amplamente considerado o primeiro filósofo existencialista. Em meados do século XX, seu pensamento passou a exercer uma influência substancial sobre a filosofia, teologia psicologia, antropologia, sociologia e toda a cultura ocidental. ↩︎
- Emmanuel Levinas foi um filósofo francês nascido em uma família judaica na Lituânia. Bastante influenciado pela fenomenologia de Edmund Husserl, de quem foi tradutor, assim como pelas obras de Martin Heidegger, Franz Rosenzweig e Monsieur Chouchani, o pensamento de Levinas parte da ideia de que a Ética, e não a Ontologia, é a Filosofia primeira. É no face-a-face humano que se irrompe todo sentido. Diante do rosto do Outro, o sujeito se descobre responsável e lhe vem à ideia o Infinito. ↩︎


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