O desafio do cuidado no século XXI
Com o envelhecimento acelerado da população mundial e o aumento da demanda por cuidadores de idosos e pessoas com necessidades especiais, cresce também a preocupação com saúde física e mental desses profissionais. O ato de cuidar exige dedicação emocional, mas também envolve esforço físico constante, que pode resultar em lesões musculoesqueléticas quando realizado sem técnicas adequadas.
Pesquisas recentes em universidades brasileiras e manuais técnicos internacionais reforçam que a ergonomia aplicada ao cuidado é fundamental para garantir segurança tanto ao paciente quanto ao cuidador.
Evidências científicas e especialistas
Estudos acadêmicos têm apontado caminhos para melhorar a prática diária dos cuidadores:
- Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG): A pesquisadora Ana Paula Santos Prates, sob orientação da Profª Adélia Maria Silva, analisou os desafios ergonômicos enfrentados por cuidadores de idosos acamados. O estudo destaca a necessidade de técnicas específicas para reduzir riscos ocupacionais e preservar a saúde da coluna lombar
- Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC): O trabalho de João Aníbal Guarezi, orientado por Elton Moura Nickel, aplicou a análise ergonômica do trabalho ao design das atividades de cuidadores. A pesquisa sugere adaptações no ambiente doméstico e institucional, como camas articuladas e barras de apoio, para diminuir o esforço físico
- Manual técnico-científico “Cuidador de Idoso” (CAPES, 2025): Produzido por Sônia Maria Leopize Takano, Josiane Ramos Garcia Rodrigues e Vanessa Aparecida Sanches Campassi de Oliveira, o documento reúne evidências clínicas e recomendações práticas sobre postura, movimentação e ergonomia no cuidado domiciliar

Imagem gerada por IA sob instruções de Serg Smigg
Recomendações práticas para o dia a dia
Com base nas pesquisas e manuais técnicos, algumas orientações podem ser aplicadas imediatamente pelos cuidadores:
- Postura correta ao levantar pacientes: dobrar os joelhos e manter a coluna ereta, evitando sobrecarga lombar
- Uso de equipamentos auxiliares: cadeiras de rodas ajustáveis, camas articuladas e barras de apoio reduzem o esforço físico
- Organização do ambiente: manter objetos de uso frequente ao alcance, prevenindo movimentos repetitivos e torções
- Intervalos regulares: pequenas pausas durante o turno ajudam a prevenir fadiga e dores musculares
- Capacitação contínua: cursos e treinamentos em ergonomia e fisioterapia aplicada ao cuidado fortalecem a prática profissional
Impactos esperados
Adoção dessas práticas traz benefícios diretos:
- Para cuidadores: redução de afastamentos por lesões, maior valorização profissional e qualidade de vida
- Para pacientes: segurança nos movimentos, menor risco de quedas e atendimento mais eficaz
- Para instituições: fortalecimento da imagem de responsabilidade social e adoção de protocolos baseados em evidências científicas
A ergonomia no cuidado não é apenas questão de conforto: trata-se de saúde pública e qualidade de vida. Ao aplicar recomendações científicas, cuidadores podem proteger sua própria saúde e oferecer atendimento mais seguro e humanizado.
Fontes consultadas: UFMG (repositorio.ufmg.br); UDESC (repositorio.udesc.br); CAPES (educapes.capes.gov.b)


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