Cuidadores da Rua da Luz – Capítulo 4

Casal de idosos em sala de TV aconchegante, acompanhado por cuidadora; o aparelho de TV está em estante de estilo clássico, com alguns livros e pequenos vasos com plantas; uma mulher, em pé, observa a cena com simpatia e admiração.

Enquanto observava seus pais e Clara, Helena refletia sobre a profunda diferença entre o amor verdadeiro e as obrigações financeiras. A cena diante dela, de cordialidade e amizade, contrastava fortemente com a história da cliente que defendia.

“Tem-se dedicação e amor pelo histórico de vida, não pelo histórico bancário”,

…repetiu em pensamento, sentindo uma mistura de tristeza e esperança.

Ela admirava a paciência e o carinho de Clara, que, mesmo diante das dificuldades, conseguia transformar o cuidado em um ato genuíno de humanidade. Seus pais, apesar dos desafios da idade e da doença, encontravam conforto e dignidade naquele ambiente de afeto.

Helena sabia que, embora o sistema jurídico pudesse garantir direitos materiais, o que realmente importava era a presença, o respeito e o amor compartilhado no dia a dia.

Tinha certeza claríssima de que teria êxito no universo jurídico sobre o caso da senhora abandonada que defendia; conseguiria fazer que tivesse todo o conforto que ela própria preparara para si e para os filhos. Entretanto, era certo que não conseguiria oferecer àquela senhora o que ela própria, Helena, e Clara ofereciam a seus pais.

Com essa convicção renovada, ela se sentia ainda mais motivada a lutar por aqueles que, como sua cliente, precisavam de voz e proteção, e a valorizar cada gesto de cuidado que via em sua própria casa.

— “Instituto Hortência&Lourenço.” – Falou em voz alta.

— Falou com a gente, dona Helena? – Clara quis saber.

— O que você falou, filha? – O senhor Lourenço também ficou curioso. — Acho que pensei alto, pai.


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