Nos últimos anos, o setor de cuidados domiciliares (home care) tem passado por transformação significativa. Nesse sentido, familiares de membros com algum nível de necessidades especiais recorrem a tecnologias diversas. São atraídos por avanços importantes em instrumentos e utensílios tecnológicos destinados a suporte em geral.
Por Serg Smigg
A pandemia de COVID-19 acelerou a adoção da telemedicina e do monitoramento remoto. Assim, criou-se paradigma de atenção à saúde que combina inovação tecnológica com humanização do cuidado.
Segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS, mais de 1 bilhão de pessoas vive com algum tipo de deficiência no mundo. Nesse cenário, muito necessitam de acompanhamento contínuo. No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE de 2022 indicam essa demanda.
Assim, sabe-se que cerca de 24% da população brasileira apresenta algum grau de necessidade suporte. Esse cenário reforça a importância de soluções que ampliem o acesso e melhorem a qualidade de vida desses pacientes.
Telemedicina e monitoramento remoto
A telemedicina, regulamentada no Brasil em caráter definitivo pela Lei nº 13.989/2020, tornou-se ferramenta essencial. Assim, consultas virtuais permitem acompanhamento de casos complexos, o que reduz riscos e custos. Além disso, dispositivos remotos — como oxímetros, sensores de pressão arterial e balanças inteligentes — possibilitam monitoramento em tempo real de sinais vitais.

De acordo com o Dr. Gustavo Gusso, professor da Faculdade de Medicina da USP e especialista em atenção primária:
“o uso de tecnologias digitais no cuidado domiciliar não substitui o contato humano, mas amplia a capacidade de resposta e a segurança do paciente”.
Ainda, o especialista ressalta que integração entre profissionais de saúde e ferramentas digitais é fundamental para garantir eficácia do atendimento.
Inteligência Artificial e personalização do cuidado
A inteligência artificial (IA) também tem ganhado espaço no setor. Algoritmos são capazes de analisar dados clínicos e prever situações de risco. Crises respiratórias ou quedas de pressão, dentre outras situações, recebem apoio imediato.
Além disso, o sistema de apoio preventivo se soma ao conjunto de atendimentos.
Em 2024, estudo publicado na revista The Lancet Digital Health tornou-se incentivo para avanços maiores. Segundo a publicação, sistemas de IA aplicados ao home care reduziram em até 30% as internações hospitalares de pacientes crônicos.
A Dra. Ana Cláudia Quintana Arantes é médica geriatra e especialista em cuidados paliativos. Para ela, tecnologia é verdadeira aliada da humanização:
“O grande desafio é usar a inovação para personalizar o cuidado, respeitando a história, os valores e as necessidades de cada paciente. A máquina pode prever, mas é o profissional que acolhe”.
Ética, privacidade e inclusão
Apesar dos avanços, há desafios importantes. Proteção de dados sensíveis é um dos mais preocupantes. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) é um dos instrumentos protetivos para que informações médicas não sejam utilizadas indevidamente. Afinal, manter a confiança dos pacientes e familiares é essencial.
Outro ponto crítico é a inclusão digital. Nem todas as famílias têm acesso aos avanços, o que pode gerar desigualdade no acesso ao home care tecnológico. O professor Alexandre Barbosa é coordenador do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação – Cetic.br. Diz ele:
“é preciso políticas públicas que assegurem conectividade e capacitação, sob pena de ampliarmos a exclusão social”.
O futuro do home care
O futuro do home care para pessoas com necessidades especiais parece caminhar para um modelo híbrido. Dessa forma, tecnologia e humanização se complementam. Em resumo, prometem ampliar a autonomia dos pacientes e reduzir a sobrecarga dos familiares sob três pilares.
- Automação de processos
- Uso de casas inteligentes adaptadas
- Integração de equipes multidisciplinares
No entanto, especialistas são unânimes: o cuidado não pode perder sua essência. O olhar atento, o toque humano e a escuta sensível são imprescindíveis. Como resume a Dra. Ana Cláudia Arantes, “a tecnologia deve ser a ponte, nunca a barreira, entre quem cuida e quem é cuidado”.
E você? O que pensa sobre o uso de tecnologia no home care? Acredita que humaniza ou distancia o cuidado? Deixe sua opinião nos comentários e participe dessa discussão.
1 – Domótica é um conjunto de técnicas e sistemas que permite automação residencial, o que proporciona conforto, segurança eficiência. O termo nasceu da palavra “domus” [“casa”, latin] e “robótica”.
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