O mês de junho marca a campanha Junho Violeta, dedicada à conscientização e combate à violência contra pessoas idosas. A cor violeta simboliza respeito, dignidade e empatia — valores que deveriam nortear todas as relações com quem envelhece. No entanto, os números mostram que o Brasil ainda enfrenta dura realidade: aumento dos casos de agressão, abandono e negligência contra idosos.
Por Serg Smigg
Segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania – MDHC, o país registrou mais de 95 mil denúncias de violência contra idosos em 2025, crescimento de 18% em relação ao ano anterior. A maioria dos casos ocorre dentro das próprias casas, com violência praticada por familiares ou cuidadores despreparados.
Um caso que chocou o país
Em fevereiro de 2026, um vídeo viralizou nas redes sociais mostrando dois homens abandonando um idoso em uma calçada, após retirá-lo de uma caminhonete. O caso ocorreu em frente ao Mercado Central na capital do Maranhão e gerou indignação nacional. O homem, de 78 anos, foi deixado sob o sol, sem água ou assistência, até ser socorrido por vizinhos.
A Polícia Civil abriu investigação e os responsáveis foram indiciados por abandono de incapaz, crime previsto no artigo 133 do Código Penal. O episódio reacendeu o debate sobre a necessidade de políticas públicas mais eficazes e fiscalização rigorosa dos serviços de cuidado.
Tipos de violência contra idosos
A violência contra pessoas idosas pode se manifestar de várias formas:
- Física: agressões, empurrões, lesões
- Psicológica: humilhações, ameaças, isolamento
- Financeira: apropriação indevida de bens ou aposentadorias
- Negligência: falta de cuidados básicos, como higiene e alimentação
- Abandono: deixar o idoso sem assistência ou companhia

De acordo com o Disque 100, canal de denúncias do governo federal, os casos de violência psicológica e negligência representam mais de 60% das ocorrências registradas.
A visão dos especialistas
Para a gerontóloga Dra. Helena Prado, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o problema está enraizado em uma cultura que ainda não valoriza o envelhecimento.
“O idoso é frequentemente visto como um peso, não como alguém que carrega história e sabedoria. Essa visão distorcida abre espaço para o desrespeito e a violência”, afirma a especialista.
O psicólogo Rafael Moura, que atua em programas de apoio a cuidadores, acrescenta que a sobrecarga emocional e a falta de preparo técnico também contribuem para comportamentos abusivos.
“Muitos cuidadores não recebem treinamento adequado e acabam reproduzindo atitudes de impaciência ou negligência. É fundamental investir em capacitação e suporte psicológico”, explica.
A resposta institucional
O Estatuto da Pessoa Idosa, atualizado em 2023, reforça direitos e penalidades para quem pratica violência. O documento prevê penas de até quatro anos de prisão para casos de abandono e estabelece que hospitais, clínicas e serviços de home care devem comunicar às autoridades qualquer suspeita de maus-tratos.

O Ministério da Saúde também lançou, em 2025, o programa Cuidar com Respeito, voltado à formação de profissionais de atenção domiciliar e à criação de protocolos de prevenção à violência. A iniciativa busca integrar o cuidado físico e emocional, com foco na humanização.
O papel do home care
Empresas como a Leme Home Care têm papel essencial nesse contexto. O cuidado domiciliar humanizado oferece não apenas suporte clínico, mas também acolhimento emocional e social.
Segundo a diretora técnica da Leme Home Care, professora e enfermeira Liliana Leme, o treinamento das equipes inclui módulos sobre ética, empatia e comunicação:
“Nosso compromisso é garantir que cada idoso seja tratado com respeito e dignidade. O cuidado vai além da técnica — envolve escuta, paciência e afeto”, afirma.
A empresa também mantém canal interno para denúncias e orientações sobre condutas inadequadas, reforçando a importância da transparência e da responsabilidade profissional.
A importância da denúncia
Especialistas alertam que a omissão é uma forma de violência. Qualquer pessoa pode denunciar casos suspeitos pelo Disque 100, serviço gratuito e confidencial. Em 2025, o canal recebeu mais de 180 mil denúncias de violações de direitos humanos, sendo quase metade relacionadas a idosos.
A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – SBGG recomenda que familiares e vizinhos fiquem atentos a sinais como isolamento, medo, ferimentos inexplicáveis ou mudanças bruscas de comportamento.
Um chamado à consciência
O Junho Violeta é mais do que uma campanha — é um convite à reflexão coletiva. Envelhecer é um direito, e cuidar dos idosos é um dever social. A violência contra pessoas idosas não é apenas um crime; é uma ruptura moral que fere o princípio da dignidade humana.

A Leme Home Care reforça seu compromisso com o respeito e a humanização, lembrando que cada gesto de cuidado é também um ato de proteção.
Países com melhores práticas em prol da terceira idade
| País | Saúde | Previdência | Proteção legal | Inclusão social |
|---|---|---|---|---|
| Suíça | Excelente | Forte | Boa | Boa |
| Noruega | Excelente | Boa | Boa | Boa |
| Suécia | Boa | Boa | Avançada | Excelente |
| Canadá | Boa | Excelente | Boa | Boa |
| Alemanha | Boa | Boa | Boa | Excelente |
| Japão | Boa | Boa | Cultural | Forte |
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Enfermeira Coordenadora da Leme Home Care
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