Capítulo 13
As dores de Pedrinho avançavam. As pernas, outrora inquietas, agora pediam repouso. Amaro percebia cada gesto do menino — o olhar que buscava disfarçar o incômodo, o sorriso que tentava esconder a dor. E, mesmo assim, Pedrinho insistia em aprender, em descobrir, em criar.
Amaro, cuidador atento, dedicava-se com paciência e ternura. Massageava as pernas do garoto, ajustava a cadeira, registrava tudo no “Diário de Bordo”. Mas havia algo que o inquietava: os pais de Pedrinho. Tentara conversar com eles mais uma vez, explicar o avanço das dores, sugerir acompanhamento mais próximo. Porém, como nas vezes anteriores, encontrou distância — olhares apressados, respostas curtas, uma ausência que doía mais que o silêncio.
Naquela noite, enquanto anotava suas observações, Amaro imaginou o futuro. Viu os pais de Pedrinho envelhecendo, isolados, sem apoio emocional. E viu também o menino crescendo — não apenas em idade, mas em propósito. Pedrinho sempre demonstrara fascínio pela tecnologia: desmontava brinquedos, criava pequenos circuitos, sonhava com máquinas que pudessem ajudar pessoas como ele.
Amaro sorriu ao pensar nisso. A limitação de mobilidade jamais impediria o avanço de Pedrinho. Pelo contrário — talvez fosse justamente essa limitação que o tornaria mais sensível, mais humano, mais capaz de compreender o valor do cuidado.
Em sua mente, Amaro desenhou o futuro: Pedrinho adulto, profissional brilhante, cidadão admirável. E, num gesto de amor que o tempo não apaga, viu o menino — agora homem — cuidando dos pais com carinho e dedicação, oferecendo a eles o que hoje pareciam incapazes de oferecer: presença.
Junho Violeta lembra que o cuidado com os idosos começa muito antes da velhice. Começa no exemplo, na empatia, na forma como se aprende a olhar o outro. E Amaro sabia: o futuro de Pedrinho seria a prova viva de que o amor, quando cultivado, floresce até nas ausências.



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