Na casa do Sr. Lourenço e da D. Hortência, as manhãs costumavam começar devagar. O relógio da sala marcava as horas, a luz atravessava as cortinas e Clara preparava o café com a atenção de quem conhecia cada detalhe daquela rotina.
Nos últimos tempos, porém, D. Hortência vinha se esquecendo de algumas coisas. Às vezes perguntava pelo mesmo assunto várias vezes; em outras, parecia procurar no rosto de Clara uma lembrança que insistia em escapar. O Sr. Lourenço observava tudo em silêncio, preocupado, embora tentasse esconder a inquietação atrás de um sorriso.

Clara trabalhava com o casal desde os tempos em que a Leme Bem-estar ainda atuava como empresa de atendimento domiciliar. O vínculo construído ao longo dos anos fizera com que ela permanecesse ali, mesmo depois da mudança de foco da empresa para o universo da medicina integrativa. Agora, como colaboradora Ada Leme Bem-estar, continuava dedicando ao casal o mesmo cuidado de sempre — com novos conhecimentos e a mesma ternura.
Depois de conversar com a equipe e respeitar o acompanhamento médico de D. Hortência, Clara decidiu utilizar, como prática complementar, técnicas de acupuntura tradicional chinesa. Não prometia milagres, nem dizia que as agulhas poderiam apagar a doença. Seu desejo era oferecer conforto, tranquilidade e um momento de cuidado dentro de uma rotina que, para D. Hortência, se tornava cada vez mais confusa.
— Vamos fazer uma sessão bem tranquila, querida — disse Clara, acomodando-a com delicadeza. — A senhora não precisa ter medo. Eu estou aqui com a senhora.
D. Hortência olhou para ela e sorriu.

Clara preparou o ambiente, higienizou as mãos e organizou os materiais. Com movimentos precisos e suaves, aplicou as agulhas nos pontos escolhidos, sempre observando as reações da paciente. Durante todo o procedimento, conversou sobre as flores do jardim, o café que o Sr. Lourenço prepararia mais tarde e as histórias antigas da família.
A acupuntura não substituía o acompanhamento dos profissionais de saúde, mas podia integrar aquela rede de cuidados que a Leme Bem-estar procurava construir: atenção ao corpo, escuta da mente e respeito à história de cada pessoa.
Ao terminar, Clara permaneceu ao lado de D. Hortência, segurando sua mão.
— Mesmo quando alguma lembrança se esconde, o carinho continua encontrando o caminho — sussurrou.
E, naquela manhã, foi isso que permaneceu: a presença de Clara, o olhar agradecido do Sr. Lourenço e a sensação de que cuidar também era ajudar alguém a se sentir segura no presente.


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